domingo, 9 de outubro de 2011

GATOS: MANUAL DE INSTRUÇÕES

PARTE 5: PRINCIPAIS ZOONOSES


Apesar de incomum, também pode ocorrer transmissão desta doença dos gatos para o ser humano. Segue mais um post sobre zoonoses felinas.






5.5 CLAMIDIOSE FELINA


A clamidiose felina é uma doença causada pela Chlamydophila felis, uma bactéria Gram negativa que causa distúrbios respiratórios e oculares em gatos, especialmente em filhotes (2 a 6 meses de idade). Ocorre em todo o mundo e afeta cerca de 5 a 10% da população.

AGENTE ETIOLÓGICO

A família Chlamydiae é dividida em dois gêneros: Chlamydia e Chlamydophila. O gênero Chlamydophila possui quatro espécies que geralmente são altamente espécie-específicos, onde cada cepa infecta um ou apenas alguns animais diferentes. A bactéria que está relacionada com a Clamidiose felina pertence à espécie Chlamydophila felis que aparentemente está altamente adaptada a este hospedeiro, raramente causando infecções em outros animais.

EPIDEMIOLOGIA E TRANSMISSÃO

A clamidiose é transmitida diretamente entre animais pelo contato direto com secreções provenientes de descargas nasais e oculares, havendo possibilidade de transmissão através de fômites.

PERÍODO DE INCUBAÇÃO

O período de incubação é de 2-5 dias podendo chegar até 10 dias.

PATOGENIA


A bactéria se multiplica no citoplasma das células do epitélio da conjuntiva causando sua ruptura e liberando organismos que irão infectar outras células epiteliais. 

SINTOMAS

A quemose é um sinal característico da clamidiose, observando-se conjuntivite intensa com hiperemia extrema da membrana nictante, blefarospasmo e desconforto ocular. No inicio apresenta-se somente uma leve descarga ocular serosa e blefarospasmo, evoluindo para uma descarga ocular purulenta bilateral, corrimento nasal, também purulento, e espirros ocasionais. A hiperemia ocular pode estar presente durante vários dias no estágio inicial. A conjuntivite pode persistir por 2 meses ou mais. Viroses respiratórias podem agravar o quadro de infecção bacteriana por Chlamydophila e concomitantemente agravar a conjuntivite. Em filhotes pode causar pneumonia.


Conjuntivite ocasionada por Clamidiose felina e outros agentes infecciosos secundários

Conjuntivite mucopurulenta e quemose associadas à Chlamydophila

Hiperemia ocular, conjuntivite ocasionada por Clamidiose felina

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico pode ser realizado através de culturas de swab conjuntival, teste de ELISA e pesquisa de anticorpos para Chlamydophila, além de observação clínica e histórico do animal.

Swab para diagnóstico de clamidiose felina
TRATAMENTO

O prognóstico da doença é BOM, se o diagnóstico for realizado precocemente e realizada um tratamento adequado. Como se trata de uma bactéria gram negativa, deverá se combatida com antibióticos específicos.

PROFILAXIA


Existem vacinas disponíveis, geralmente vacinas vivas (cepas atenuadas) e associadas a outros agentes de doenças felinas (quádruplas e quíntuplas). Gatos que vivem em grupos ou que tem acesso a rua devem ser vacinados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS





Bom, com a Clamidiose Felina encerramos nossas postagens sobre zoonoses. Esperamos que tenham aproveitado o conteúdo disponibilizado até agora! Continuaremos falando sobre as principais doenças de gatos nas próximas postagens! 

Até lá!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

GATOS: MANUAL DE INSTRUÇÕES

PARTE 5: PRINCIPAIS ZOONOSES


Segue mais uma Zoonose de Felinos Domésticos que podem ser transmitidas aos seres humanos







5.4 ESPOROTRICOSE


A esporotricose é uma doença fúngica zoonótica que infecta várias espécies animais, porém os gatos são as fontes mais notáveis de transmissão de esporotricose aos humanos. Geralmente o fungo é encontrado no solo, crescendo em plantas, cascas de árvores,  vegetais e material em decomposição, estando preferencialmente presente em ambientes quentes e florestas úmidas. A distribuição da esporotricose é mundial, ocorrendo principalmente em áreas tropicais e subtropicais, como o nosso país.


AGENTE ETIOLÓGICO


O fungo causador da esporotricose é o Sporothrix schenckii, uma espécie de fungo dimórfico da família Ophiostomataceae. Sporothrix schenckii é a única espécie descrita para o gênero Sporothrix.

S. schenckii em forma de bolor
S. schenckii em forma de levedura


EPIDEMIOLOGIA E TRANSMISSÃO

Cães, gatos e seres humanos são suscetíveis à doença, que geralmente está associada à feridas e traumas cutâneos. Em cães, a forma de contágio mais comum é através de espinhos ou lascas de madeira; Os gatos de forma geral tem o hábito de cavar buracos para enterrar suas fezes e urina, além de arranhar troncos de árvores para demarcar território, nestes casos, se o fungo estiver presente no ambiente, terra ou tronco, o gato irá contaminar suas unhas, podendo infectar outros animais ou o homem, mesmo estando saudável; O homem pode ser infectado ao trabalhar em lavouras, cultivos de rosas (espinhos) ou diretamente através do contato com animais contaminados: se estiver com algum ferimento na pele e tiver contato com secreções provenientes das feridas dos animais; podendo ainda contrair esporotricose ao ser arranhado, caso o cão ou gato tenham o fungo nas unhas.

PERÍODO DE INCUBAÇÃO


Varia de três dias a seis meses, tendo uma média de três semanas.


PATOGENIA


O gato transfere o conteúdo de suas unhas através da lambedura, passando o fungo presente nos membros para o focinho e orelhas. Havendo uma solução de continuidade (ferida), o fungo penetra no tecido subcutâneo, onde inicia-se o desenvolvimento de pequenos nódulos de um a três centímetros de diâmetro no local da inoculação e à medida que a infecção atinge os vasos linfáticos, desenvolvem um cordão de novos nódulos, ocorrendo pústula local ou ulceração. A infecção se desenvolve por difusão hematógena ou  tecidual do local inicial da inoculação para ossos, pulmão, fígado, baço, testículos, trato gastrointestinal ou sistema nervoso central.


SINAIS CLÍNICOS


Os sintomas dependem de qual ou quais órgãos foram afetados. A forma cutânea é a mais comum, podendo apresentar-se de quatro maneiras diferentes:


  • Cutâneo-localizada: formação de nódulos localizados, avermelhados que podem aparecer nos olhos e na boca.
  • Cutâneo-linfática: caracteriza-se por nódulos que podem atingir os vasos linfáticos e ocasionar disseminação linfática, caracterizada por um cordão de nódulos.
  • Cutâneo- disseminada: nódulos se disseminam pela pele, comum em imunodeprimidos.
  • Extra-cutânea: atinge outros órgãos além da pele - ossos, pulmões, fígado, baço e sistema nervoso.


Gato com esporotricose - lesão nasal




Esporotricose felina - várias lesões na face e membros

DIAGNÓSTICO

O Diagnóstico é baseado no histórico relatado pelo proprietário, exame físico e dermatológico realizado pelo médico veterinário que compreende exames laboratoriais para identificação do agente etiológico. A confirmação diagnóstica é feita com o isolamento do Sporothrix schenckii em meio de cultura.


TRATAMENTO


Os gatos respondem bem ao tratamento antifúngico regular e prolongado, sendo os medicamentos de escolha para tratamento os iodetos inorgânicos (iodeto de potássio e iodeto de sódio), cetoconazol e itraconazol. O itraconazol e o cetoconazol mostram resultados encorajadores contra doenças fúngicas, porém, é importante ressaltar que, independente da droga de escolha, o tratamento deve ser seguido sob supervisão de um médico veterinário que indicará o tempo de tratamento e o momento da suspensão do uso de medicamentos, pois muitas vezes, ao menor sinal de cicatrização das lesões, leigos suspendem o tratamento sem o consentimento do médico, ocasionando recidiva da doença.




SOS Felinos: A gatinha Linda, com esporotricose  - lesão nasal


Linda após tratamento

PROFILAXIA


A esporotricose é uma doença contagiosa, portanto, é de fundamental importância o cuidado na manipulação de animais contaminados, pois o conteúdo das lesões (secreções e exsudatos infectados) são as principais fontes de contaminação. Os animais em tratamento devem ser isolados do convívio com outros animais e pessoas até o final do tratamento. No caso de gatos que tem acesso ao meio extra domiciliar, recomenda-se castração para diminuir suas saídas e contato com possíveis locais contaminados, uma vez que o agente etiológico encontra-se no meio ambiente e seu controle é praticamente impossível. Os gatos que vivem confinados em apartamentos estão praticamente livres do risco da doença, exceto se você utilizar areia ou terra de origem duvidosa, por isso, indicamos o uso de areia sanitária, aquela encontrada nos supermercados e pet shops. Para as pessoas que trabalham na agricultura e na lavoura, recomenda-se o uso de luvas apropriadas para evitar o contato direto com a terra e os espinhos de algumas plantas, tendo em vista que a doença também é conhecida como " Doença de rosas de jardim".


CONSIDERAÇÕES FINAIS








Apesar da esporotricose ser transmitida por gatos, vimos que também pode ser adquirida sem a intervenção deles, uma vez que o fungo está presente no ambiente, assim como vários outros agentes etiológicos de inúmeras doenças. Nosso objetivo é alertar para a existência do risco e indicar os principais meios para evitá-lo e, se for o caso, combatê-lo. 


Até a próxima postagem!



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

GATOS: MANUAL DE INSTRUÇÕES

PARTE 5: PRINCIPAIS ZOONOSES


Continuaremos abordando o tema Zoonose, mostrando que nosso amigo gato as vezes pode participar da transmissão de doenças ao homem.







5.3 RAIVA

A raiva é uma zoonose viral, que se caracteriza como uma encefalite progressiva aguda e letal. Existem dois ciclos de transmissão, o urbano, no qual tem participação como vetores os cães e os gatos; e o ciclo silvestre, onde no meio rural o principal transmissor é o morcego hematófago e na área silvestre a raposa.


AGENTE ETIOLÓGICO
O vírus da raiva pertence à família Rhabdoviridae e gênero Lyssavirus. Possui aspecto de projétil e seu genoma é constituído por RNA.


Lyssavirus

RESERVATÓRIOS

Urbanos
Cães e Gatos
Rurais
Animais de produção: Bovinos, Caprinos, Ovinos, Equinos e Suínos
Silvestres
Morcegos, Raposa, Sagui


MODO DE TRANSMISSÃO




A transmissão da raiva se dá pela penetração do vírus contido na saliva do animal infectado, principalmente pela mordedura e, mais raramente, pela arranhadura e lambedura de mucosas.

O vírus penetra no organismo, multiplica-se no ponto de inoculação, atinge o sistema nervoso periférico e, posteriormente, o sistema nervoso central. A partir daí, dissemina-se para vários órgãos e glândulas salivares, onde também se replica e é eliminado pela saliva de pessoas ou animais enfermos.

PERÍODO DE INCUBAÇÃO

É extremamente variável, desde dias até anos, com uma média de 45 dias, no homem e de 10 dias a 2 meses no cão*. O período de incubação está diretamente relacionado à:
  • Localização, extensão e profundidade da mordedura, arranhadura, lambedura ou contato com saliva de animais infectados;
  • Distância entre o local do ferimento, o cérebro e troncos nervosos;
  • Concentração de partículas virais inoculadas e cepa viral.
* nos gatos, o período de incubação é semelhante ao dos cães.


SINTOMAS

Três fases são reconhecidas: precursora ou prodromal, excitativa e paralítica. A duração total raramente é maior do que 10 dias; em média, a duração é de 5 a 6 dias.

a) Fase Precursora ou Prodromal (duração de 2 a 3 dias):

Mudanças na disposição: Um animal quieto se torna ativo e excessivamente amigável; o animal ativo se torna nervoso e assustado.

Dilatação das pupilas, salivação; o animal "morde o ar" e late com som agudo (cães);

Modificação da andadura (passo), com possível rigidez e contração da musculatura facial.

b) Fase Excitativa ou Raiva Furiosa:

Aumento dos reflexos de irritabilidade;

Dificuldade de deglutição, sialorreia;

Síndrome de ataque: agressão violenta e viciosa ("olhos faiscando", boca espumando, pelos do dorso arrepiados). Este período pode durar de 1 a 4 dias. Há progressão para um quadro convulsivo terminal ou paralisia, se o animal viver por um período mais prolongado.

c) Fase Paralítica ou Raiva Silenciosa:


Se a fase excitativa não é observada, ou é muito curta, então a denominamos como Raiva Silenciosa ou Paralítica.
  1. O animal não se encontra irritadiço, raramente morde;
  2. Paralisia ascendente dos membros - causando marcha trôpega;
  3. Paralisia de mandíbula (pode ser antes da paralisia dos membros ou concomitantemente) - causando sialorreia, língua pendendo para fora da boca;
  4. Alterações oculares, como Anisocoria;
  5. Somente 25% dos casos de Raiva em felinos correspondem a este tipo (Paralítica), comparado aos 75% de casos observados em cães.


Paralisia
Anisocoria
Agressividade














DIAGNÓSTICO


Sempre que houver sintomas neurológicos e a origem for indeterminada, deve-se suspeitar de Raiva. Como precaução, tomar as seguintes medidas profiláticas durante o diagnóstico:


Isolar o animal suspeito;


Se alguma pessoa for mordida ou tiver contato estreito com o animal suspeito, deverá lavar imediatamente o ferimento com água e sabão e procurar auxilio médico.


Consultar um veterinário do Centro de Zoonoses;


Enviar amostras de tecidos (de preferência da cabeça toda, ou a região do hipocampo cerebral e cerebelo) para laboratório de diagnóstico.


O veterinário, recebendo o laudo do diagnóstico, deverá notificar as autoridades sanitárias locais; Deverá também, comunicar ao proprietário do animal e colocar os animais expostos ou suspeitos em quarentena.



TRATAMENTO


Nenhum tratamento deverá ser tentado. Se o animal exposto ao vírus não é vacinado, em se tratando de animais abandonados, recomenda-se proceder a eutanásia, para coleta de material para diagnóstico laboratorial.


Uma alternativa seria manter o animal suspeito sob quarentena de 6 meses, o que nem sempre é viável.


Se o animal exposto tiver um proprietário e for anteriormente vacinado, recomenda-se o seu isolamento para observação clínica por 10 dias, após esse período, o animal deverá ser revacinado.


VACINAÇÃO


As vacinas induzem altos títulos de anticorpos neutralizantes, aproximadamente entre 7 e 21 dias após a vacinação (período negativo de imunidade), utilizando-se tanto a vacina a vírus vivo modificado, quanto a vacina inativada.


A duração da imunidade pode ser de até 3 anos, para as vacinas vivas ou inativadas, em cães ou gatos, mas para obtermos uma imunidade máxima é recomendável a adoção do esquema com revacinações anuais. A primovacinação é recomendada para cães e gatos a partir do quarto mês de vida.


PROFILAXIA


Já que dificilmente se consegue vacinar todos os animais errantes, fundamental para a persistência da cadeia de transmissão, recomenda-se o recolhimento de cães e gatos de rua, visando reduzir a circulação do vírus nos animais errantes. Também é recomendado o envio para diagnóstico laboratorial dos animais suspeitos de raiva.

Pessoas sob risco (profissionais de saúde) devem tomar a vacina para evitar a doença.

CONSIDERAÇÕES FINAIS



Bom, não precisa ficar assustado! Agora você já sabe que é importante vacinar seu amigo e tomar todos os cuidados. Para um gato contrair a raiva é preciso que ele não seja vacinado e que seja mordido por um cão ou outro animal infectado. Você é responsável pela saúde do seu filhote, portanto, cuide dele!

Até a próxima!

domingo, 31 de julho de 2011

GATOS: MANUAL DE INSTRUÇÕES

PARTE 5: PRINCIPAIS ZOONOSES




Como vimos em nossa última postagem, Zoonose é um termo aplicado à doenças que podem ser transmitidas dos animais para o homem e vice-versa. A maioria das zoonoses felinas são raras, especialmente aquelas transmitidas por contato direto gato-homem, sendo a alimentação e a falta de higiene, as formas de contágio mais comuns.

5.2 TOXOCARÍASE: Larva Migrans Visceral

Mais uma vez uma Toxo assola a reputação dos felinos, dessa vez o vilão não é um protozoário, mas, um helminto do gênero Toxocara. As infecções humanas são esporádicas e ocorrem em todo o mundo, atingindo principalmente crianças abaixo de 10 anos de idade, com pico entre um e quatro anos, que, em contato com a sujeira do solo ou areia contaminada por fezes de animais, ingerem ovos desses parasitas.

AGENTE ETIOLÓGICO

Nematóide cujas espécies parasitam o intestino delgado de seus hospedeiros definitivos. A larva migrans visceral é causada principalmente pelas larvas (L3) de Toxocara canis e secundariamente por Toxocara cati.


Toxocara cati

HOSPEDEIROS:

Definitivos
Gatos

Paratênicos
Ratos, outros roedores, pássaros.


CICLO EVOLUTIVO
O ciclo pode ser migratório ou não-migratório. Sendo migratório quando ocorre por ingestão das L2 no ovo, e não-migratório após infecção transmamária de L3 ou após ingestão de um hospedeiro paratênico.



1. Após ingestão e eclosão no intestino delgado, as L2 seguem pela circulação via fígado para os pulmões, onde tem lugar uma segunda muda e as L3 retornam via traquéia ao intestino, onde se dão as duas mudas finais. A fêmea do Toxocara cati adulta produz cerca de 700 ovos para cada grama de fezes por dia. Essa forma de infecção ocorre regularmente apenas em gatos de até 3 meses de idade.

Nos gatos com mais de 3 meses de idade  a migração hepatotraqueal ocorre menos frequentemente e aos seis meses, quase cessa. Em vez disso, as L2 seguem para uma ampla variedade de tecidos, incluindo fígado, pulmões, cérebro, coração, musculatura esquelética e paredes do trato digestivo

2. Não ocorre infecção pré-natal em gatos, ou seja, as L3 do tecido da mãe não atravessam a placenta antes do parto. A transmissão materno-fetal se dá por via transmamária, onde as L3 são transferidas através do leite materno durante as três primeiras semanas de lactação. Dessa forma, não acontece migração e os vermes se desenvolvem no intestino dos filhotes.

3 e 4. Os ovos juntamente com as fezes, seja na liteira (apartamentos) seja no ambiente externo, são altamente resistentes a extremos climáticos, podendo sobreviver durante anos no solo.

5. O homem pode se contaminar ao ingerir acidentalmente os ovos de Toxocara; As crianças até 10 anos são os hospedeiros intermediários mais comuns, se contaminando ao levar a mão suja à boca. Não ocorre evolução do verme adulto; as larvas migram para diversos tecidos causando a larva migrans visceral.

6. Os hospedeiros paratênicos, como roedores e aves, podem ingerir ovos infectantes e as L2 seguem para seus tecidos onde permanecem até serem ingeridas por um gato (através da predação), quando o desenvolvimento subsequente aparentemente se restringe ao trato gastrointestinal.



Ovo de Toxocara cati


L2 de Toxocara


SINTOMAS

Gato
Pelo fato da maioria das infecções ser adquirida ou no leite materno ou por ingestão de hospedeiros paratênicos, não há fase migratória, quaisquer alterações usualmente restringem-se ao intestino, manifestando-se como aumento de volume abdominal, diarréia, pelagem opaca e desenvolvimento insuficiente.

Homem
Febre, hepatomegalia, nefrose, manifestações pulmonares e cardíacas, e lesões cerebrais e/ou oculares.

EPIDEMIOLOGIA

A Epidemiologia da Toxocaríase depende amplamente de um reservatório de larvas nos tecidos da mãe, as quais são mobilizadas no final da prenhez e excretadas no leite durante toda a lactação. O hospedeiro paratênico também tem sua considerável importância, por causa do forte instinto de caça dos gatos. Não ocorre exposição a esta última via de infecção, a menos que os gatinhos comecem a caçar sozinhos ou a compartilhar a presa da mãe.

As fêmeas de Toxocara apresentam elevada postura e os ovos apresentam grande capacidade de sobrevivência no ambiente, favorecendo a manutenção do ciclo biológico e também a ingestão dos ovos infectantes principalmente pelas crianças que ainda não apresentam hábitos higiênicos.



DIAGNÓSTICO

Os ovos subglobulares, com cascas espessas, escavadas, são facilmente identificados nas fezes dos gatos em simples esfregaços aos quais se adiciona uma gota d'água.

O diagnóstico de larva migrans visceral pode ser estabelecido por métodos imunológicos bastante sensíveis e específicos como a técnica de ELISA.

TRATAMENTO

Os vermes adultos são facilmente removidos por tratamento anti-helmíntico. A droga utilizada mais popular é a piperazina, embora esteja sendo substituida pelos benzimidazóis fenbendazol e mebendazol e por nitroscanato.

CONTROLE E PROFILAXIA

Realizar tratamento anti-helmintico nas fêmeas antes do parto para evitar transmissão transmamária. Vermifugar os filhotes com 2 meses de idade para eliminar qualquer infecção adquirida através do leite materno (Ver esquema de vermifugação em filhotes); Recomenda-se tratamento dos gatos adultos a cada três a seis meses durante a vida toda.

Além da administração de anti-helmínticos é importante estabelecer hábitos higiênicos para evitar contaminação acidental; Fazer limpezas regulares na liteira, lavar bem as mãos após manipulação de fezes; Evitar que as crianças brinquem em locais sujos, aonde haja riscos de contaminação com fezes de animais; Lavar bem frutas e verduras etc.




Os gatos e as crianças podem ser grandes amigos e essa relação deve ser benéfica, basta cuidarmos de ambos afim de matê-los saudáveis. As crianças devem entender que é importante lavar sempre as mãos e os gatos precisam estar em dia com seu calendário de vermifugação, dessa forma, todos ganham, inclusive você!

Até a próxima!

terça-feira, 19 de julho de 2011

GATOS: MANUAL DE INSTRUÇÕES

PARTE 5: PRINCIPAIS ZOONOSES



Vamos iniciar uma série de postagens, cujo tema abordará as principais zoonoses transmissíveis de gatos para humanos. Falaremos sobre agentes etiológicos, epidemiologia, sintomas, patologia e tratamentos; Lembrando que esta última parte é responsabilidade de um profissional capacitado, no caso de gatos: um médico veterinário; no caso de humanos, um médico, portanto, fique atento sobre as doenças e seus sintomas e em caso de suspeita vá imediatamente a um médico e claro, leve seu bichano a um médico veterinário!



 5.1 TOXOPLASMOSE

Não bastasse a perseguição sofrida pelos gatos na Idade Média, nos dias atuais, seu grande estigma é a Toxoplasmose. Diante disso, falaremos tudo sobre a doença e principalmente a relação entre as grávidas e seus gatos.

O QUE É TOXOPLASMOSE?

É uma Zoonose cosmopolita (presente em todo o mundo), causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, considerado um eurixeno (capaz de infectar animais em diferentes níveis da escala zoológica), ou seja, parasita NÃO EXCLUSIVO de gatos, apesar deste ser seu único hospedeiro definitivo (aonde o ciclo de vida do parasito é completo).  É uma doença infecciosa, congênita ou adquirida e considerada benigna, pois quando uma pessoa sadia entra em contato com o parasita, suas próprias defesas são suficientes para debelar a doença. No entanto, dependendo do estado físico (desnutrição, estresse, doenças imunodepressoras, transplantes, gravidez etc) pode acontecer queda da imunidade e o indivíduo desenvolver a doença.

AGENTE ETIOLÓGICO

O agente causador da Toxoplasmose é o protozoário coccídeo Toxoplasma gondii, parasita intracelular obrigatório capaz de invadir, naturalmente, qualquer organismo animal de sangue quente (homeotermos) e possui três formas infectantes em seu ciclo de vida: oocistos, bradizoítos contidos em cistos e taquizoítos.




1. Oocistos
São encontrados nas fezes dos gatos, não esporulados e medem 12x10µm. Quando esporulados, o que leva de um a cinco dias, o oocisto contém dois esporocistos, cada um com quatro esporozoitos, é principal forma infectante.

2. Bradizoítos
Estão contidos em cistos e ocorrem principalmente nos músculos, fígado, pulmão e cérebro. Os bradizoitos são lanceolados e podem estar presentes vários milhares num cisto, que pode medir até 100µm de diâmetro. Quando o organismo reage (defesa), o Toxoplasma gondii fica encistado na forma de bradizoítos (forma latente).

3. Taquizoítos
São encontrados desenvolvendo-se em vacúolos em muitos tipos de células, como fibroblastos, hepatócitos, células reticulares miocárdicas. Causa a forma aguda da doença.


HOSPEDEIROS

Definitivos: Todos os felídeos, pois estão relacionados com a produção e eliminação dos oocistos (ovos) e perpetuação da doença, uma vez que somente neles ocorre a reprodução sexuada dos parasitos (Ciclo intestinal). Eles ingerem os cistos que estão nos tecidos dos animais homeotérmicos, principalmente de ratos e pássaros.

Intermediários: Qualquer mamífero, incluindo o homem, que se contaminam ao ingerirem oocistos liberados no ambiente (falta de higiene das mãos, frutas, verduras e legumes contaminados) ou através de carne crua ou mal cozida (Ciclo Extra-intestinal).

CICLO EVOLUTIVO



1. A maioria dos gatos (Hospedeiros Definitivos) infectam-se pela ingestão de animais infectados por Toxoplasma, usualmente roedores, pássaros, cujos tecidos contém taquizoítos ou bradizoítos, embora também possa ocorrer transmissão direta de oocistos entre gatos. Após a infecção, a parede do cisto é digerida no estômago do gato e no epitélio intestinal os bradizoítos liberados iniciam ciclos que culminam na produção de oocistos em 3 a 10 dias. Os oocistos são eliminados durante apenas uma a duas semanas, juntamente com as fezes, onde se tornam fonte de infecção para os hospedeiros intermediários.

2. A Liteira, é a fonte de contaminação mais comum para quem mora em apartamentos, pois é o local de eliminação de fezes e urina, utilizado pelos gatos. Como vimos, um gato com toxoplasmose elimina oocistos no ambiente até duas semanas após sua produção, em média, um mês depois de ser contaminado, o gato não é mais propagador da toxoplasmose. Mesmo assim, ao adquirir seu gatinho, faça a limpeza da liteira frequentemente, utilize luvas durante todo o procedimento e lave bem as mãos ao término da limpeza.

3. Grande parte dos gatos vivem livremente no ambiente externo, onde defecam, com isso, o ambiente se torna fonte de contaminação para vários tipos de hospedeiros diferentes, como herbívoros, carnívoros e o próprio homem. 

4. Os herbivoros ao ingerirem capim, vegetais, frutas, por exemplo, podem estar ingerindo também oocistos esporulados; os carnívoros, como o próprio gato, se contaminam ao ingerir carne crua contendo cisto com bradizoitos.

5. O homem/Mulher Grávida, hospedeiros intermediários, também se contaminam ao ingerir alimentos contaminados: mal lavados, mal cozidos (Contaminação comum à outras doenças), ou carne crua e mal passada, que podem conter bradizoítos encistados.


SINTOMAS

GATOS

Apesar do fato dos gatos se infectarem com frequência, a doença clínica é rara. A transmissão congênita, embora rara, ocorre após ativação de cistos de bradizoitos durante a prenhez.

CÃES

O aparecimento da doença é marcado por febre, com lassidão, anorexia e diarréia. São comuns pneumonia e manifestações neurológicas.

RUMINANTES

Existem apenas alguns relatos de toxoplasmose clínica associada a febre, dispnéia, sintomatologia nervosa, e aborto. Indubitavelmente, o papel mais importante da toxoplasmose em ruminantes é sua associação com aborto em ovelhas e mortalidade perinatal em cordeiros. Se a infecção ocorrer no inicio da gestação (< 55 dias), há morte e expulsão de pequeno feto, o que raramente é observado. Se a infecção ocorrer no meio da gestação, o aborto é mais facilmente detectado.

OUTROS HOSPEDEIROS

Tem-se relatado ocasionalmente toxoplasmose em suínos novos e aves.

HOMEM

A infecção no homem pode ser congênita ou adquirida. As infecções adquiridas ocorrem de duas maneiras. Primeiramente, pela ingestão de oocistos eliminados nas fezes de gatos. Isso pode ser diretamente por mãos contaminadas durante a limpeza do gatil, ou o que é mais provável, indiretamente, pela ingestão de verduras ou alimentos contaminados por fezes de gatos. As moscas também podem trasferir oocistos para alimentos. Em segundo lugar, uma importante fonte de infeção é a ingestão de carne mal cozida contendo cistos de Toxoplasma. As infecções adquiridas, em sua maioria, são assintomáticas. As infecções clinicamente aparentes apresentam-se como febre de baixo grau e mal estar com uma lindadenopatia geral acometendo predominantemente linfonodos cervicais, sintomas que são semelhantes aos da febre glandular. O envolvimento de órgãos vitais é raro, embora haja registros de miocardite, encefalite e retinocoroidite. Pode ocorrer agravamento da infecção em pacientes com imunossupressão. A infecção congênita, que ocorre apenas quando a mulher é exposta à infecção pela primeira vez durante a gestação , pode ser séria, com os taquizoítos cruzando a placenta na ausência de anticorpos maternos. Enquanto a maioria dessas infecções congênitas é assintomática, até 10% resultam em aborto, natimortos ou lesão do sistema nervoso do feto. A frequencia da doença é muito mais alta quando a infecção é adquirida no primeiro trimestre da gravidez. As crianças gravemente acometidas apresentam retinocoroidite e necrose cerebral, pode haver hepatoesplenomegalia, insuficiência hepática, convulsões e hidrocefalia.


EPIDEMIOLOGIA


Investigações epidemiológicas indicam que 60% dos gatos são sorologicamente positivos para o antígeno de Toxoplasma, a maioria adquirindo infecção por predação. Como poderia esperar-se, as infecções são mais prevalentes em gatos de rua, porém, após infecção, os gatos eliminam oocistos apenas por uma a duas semanas, depois ficam resistentes à reinfecção, contudo, os oocistos são muito resistentes e isto compensa o período relativamente curto de excreção de oocistos.


DIAGNÓSTICO


O diagnóstico específico é feito por testes sorológicos ou por demonstração dos organismos em tecidos de camundongos inoculados com material suspeito. Dois dos testes mais comumente utilizados medem anticorpos, o teste do corante de Sabin-Feldman e o teste de anticorpos por imunofluorescência indireta (IFI), é preferível o último, pois não requer organismos vivos. O teste ELISA é capaz de detectar uma infecção recente pela estimativa de anticorpos IgM, quando comparados a IgG.


TRATAMENTO


Na maioria dos casos não é necessário tratamento já que o sistema imunológico geralmente resolve o problema. Em gatos é utilizada a clindamicina e a pirimetamina. Em mulheres grávidas ou em imunodeprimidos usa-se espiramicina, pirimetamina e sulfadiazina, para controlar a multiplicação do Toxoplasma gondii, mas também deve ser fornecido ao paciente ácido fólico ou levedura de cerveja, para regularizar o sistema imunológico.

CONTROLE E PROFILAXIA

Os gatos se infectam durante a predação de roedores e pássaros, portanto, é dificil realizar o controle quando se trata de animais de rua, porém, os animais domésticos que não tem contato com o meio externo, raramente serão infectados e mesmo que cheguem em sua casa com a infecção, deixarão de eliminar os oocistos após duas semanas. A profilaxia consite em não manipular a liteira sem luvas e realizar higiene frequentemente com sabão, água sanitária e por segurança até ferver o recipiente durante as primeiras semanas. Para evitar contaminação oriunda dos alimentos, sempre lavar bem as frutas, verduras e legumes, ingerir água potável, clorada e filtrada; Nunca ingerir carne crua ou mal passada. As mulheres que pretendem engravidar devem fazer o exame sorológico para identificar anticorpos contra Toxoplasma e realizar o tratamento caso necessário.




Bom, depois de tanta informação sobre a doença, ficou fácil entender que grande parte da população mundial já entrou ou entrará em contato com o Toxoplasma, porém, a própria defesa de seu organismo se prontificará em combatê-lo. É importante ressaltar que, mesmo latente, a Toxoplasmose pode reaparecer no organismo quando a imunidade do hospedeiro estiver baixa (gravidez, transplantes, Aids e demais doenças imunodepressoras, estresse etc.)


A grávida não precisa se desfazer de seus gatos, pois os mesmos não representam risco de transmitir a Toxoplasmose, se forem tomados todos os cuidados sobre os quais já mencionamos.





Até a próxima postagem!