sexta-feira, 19 de agosto de 2011

GATOS: MANUAL DE INSTRUÇÕES

PARTE 5: PRINCIPAIS ZOONOSES


Continuaremos abordando o tema Zoonose, mostrando que nosso amigo gato as vezes pode participar da transmissão de doenças ao homem.







5.3 RAIVA

A raiva é uma zoonose viral, que se caracteriza como uma encefalite progressiva aguda e letal. Existem dois ciclos de transmissão, o urbano, no qual tem participação como vetores os cães e os gatos; e o ciclo silvestre, onde no meio rural o principal transmissor é o morcego hematófago e na área silvestre a raposa.


AGENTE ETIOLÓGICO
O vírus da raiva pertence à família Rhabdoviridae e gênero Lyssavirus. Possui aspecto de projétil e seu genoma é constituído por RNA.


Lyssavirus

RESERVATÓRIOS

Urbanos
Cães e Gatos
Rurais
Animais de produção: Bovinos, Caprinos, Ovinos, Equinos e Suínos
Silvestres
Morcegos, Raposa, Sagui


MODO DE TRANSMISSÃO




A transmissão da raiva se dá pela penetração do vírus contido na saliva do animal infectado, principalmente pela mordedura e, mais raramente, pela arranhadura e lambedura de mucosas.

O vírus penetra no organismo, multiplica-se no ponto de inoculação, atinge o sistema nervoso periférico e, posteriormente, o sistema nervoso central. A partir daí, dissemina-se para vários órgãos e glândulas salivares, onde também se replica e é eliminado pela saliva de pessoas ou animais enfermos.

PERÍODO DE INCUBAÇÃO

É extremamente variável, desde dias até anos, com uma média de 45 dias, no homem e de 10 dias a 2 meses no cão*. O período de incubação está diretamente relacionado à:
  • Localização, extensão e profundidade da mordedura, arranhadura, lambedura ou contato com saliva de animais infectados;
  • Distância entre o local do ferimento, o cérebro e troncos nervosos;
  • Concentração de partículas virais inoculadas e cepa viral.
* nos gatos, o período de incubação é semelhante ao dos cães.


SINTOMAS

Três fases são reconhecidas: precursora ou prodromal, excitativa e paralítica. A duração total raramente é maior do que 10 dias; em média, a duração é de 5 a 6 dias.

a) Fase Precursora ou Prodromal (duração de 2 a 3 dias):

Mudanças na disposição: Um animal quieto se torna ativo e excessivamente amigável; o animal ativo se torna nervoso e assustado.

Dilatação das pupilas, salivação; o animal "morde o ar" e late com som agudo (cães);

Modificação da andadura (passo), com possível rigidez e contração da musculatura facial.

b) Fase Excitativa ou Raiva Furiosa:

Aumento dos reflexos de irritabilidade;

Dificuldade de deglutição, sialorreia;

Síndrome de ataque: agressão violenta e viciosa ("olhos faiscando", boca espumando, pelos do dorso arrepiados). Este período pode durar de 1 a 4 dias. Há progressão para um quadro convulsivo terminal ou paralisia, se o animal viver por um período mais prolongado.

c) Fase Paralítica ou Raiva Silenciosa:


Se a fase excitativa não é observada, ou é muito curta, então a denominamos como Raiva Silenciosa ou Paralítica.
  1. O animal não se encontra irritadiço, raramente morde;
  2. Paralisia ascendente dos membros - causando marcha trôpega;
  3. Paralisia de mandíbula (pode ser antes da paralisia dos membros ou concomitantemente) - causando sialorreia, língua pendendo para fora da boca;
  4. Alterações oculares, como Anisocoria;
  5. Somente 25% dos casos de Raiva em felinos correspondem a este tipo (Paralítica), comparado aos 75% de casos observados em cães.


Paralisia
Anisocoria
Agressividade














DIAGNÓSTICO


Sempre que houver sintomas neurológicos e a origem for indeterminada, deve-se suspeitar de Raiva. Como precaução, tomar as seguintes medidas profiláticas durante o diagnóstico:


Isolar o animal suspeito;


Se alguma pessoa for mordida ou tiver contato estreito com o animal suspeito, deverá lavar imediatamente o ferimento com água e sabão e procurar auxilio médico.


Consultar um veterinário do Centro de Zoonoses;


Enviar amostras de tecidos (de preferência da cabeça toda, ou a região do hipocampo cerebral e cerebelo) para laboratório de diagnóstico.


O veterinário, recebendo o laudo do diagnóstico, deverá notificar as autoridades sanitárias locais; Deverá também, comunicar ao proprietário do animal e colocar os animais expostos ou suspeitos em quarentena.



TRATAMENTO


Nenhum tratamento deverá ser tentado. Se o animal exposto ao vírus não é vacinado, em se tratando de animais abandonados, recomenda-se proceder a eutanásia, para coleta de material para diagnóstico laboratorial.


Uma alternativa seria manter o animal suspeito sob quarentena de 6 meses, o que nem sempre é viável.


Se o animal exposto tiver um proprietário e for anteriormente vacinado, recomenda-se o seu isolamento para observação clínica por 10 dias, após esse período, o animal deverá ser revacinado.


VACINAÇÃO


As vacinas induzem altos títulos de anticorpos neutralizantes, aproximadamente entre 7 e 21 dias após a vacinação (período negativo de imunidade), utilizando-se tanto a vacina a vírus vivo modificado, quanto a vacina inativada.


A duração da imunidade pode ser de até 3 anos, para as vacinas vivas ou inativadas, em cães ou gatos, mas para obtermos uma imunidade máxima é recomendável a adoção do esquema com revacinações anuais. A primovacinação é recomendada para cães e gatos a partir do quarto mês de vida.


PROFILAXIA


Já que dificilmente se consegue vacinar todos os animais errantes, fundamental para a persistência da cadeia de transmissão, recomenda-se o recolhimento de cães e gatos de rua, visando reduzir a circulação do vírus nos animais errantes. Também é recomendado o envio para diagnóstico laboratorial dos animais suspeitos de raiva.

Pessoas sob risco (profissionais de saúde) devem tomar a vacina para evitar a doença.

CONSIDERAÇÕES FINAIS



Bom, não precisa ficar assustado! Agora você já sabe que é importante vacinar seu amigo e tomar todos os cuidados. Para um gato contrair a raiva é preciso que ele não seja vacinado e que seja mordido por um cão ou outro animal infectado. Você é responsável pela saúde do seu filhote, portanto, cuide dele!

Até a próxima!

domingo, 31 de julho de 2011

GATOS: MANUAL DE INSTRUÇÕES

PARTE 5: PRINCIPAIS ZOONOSES




Como vimos em nossa última postagem, Zoonose é um termo aplicado à doenças que podem ser transmitidas dos animais para o homem e vice-versa. A maioria das zoonoses felinas são raras, especialmente aquelas transmitidas por contato direto gato-homem, sendo a alimentação e a falta de higiene, as formas de contágio mais comuns.

5.2 TOXOCARÍASE: Larva Migrans Visceral

Mais uma vez uma Toxo assola a reputação dos felinos, dessa vez o vilão não é um protozoário, mas, um helminto do gênero Toxocara. As infecções humanas são esporádicas e ocorrem em todo o mundo, atingindo principalmente crianças abaixo de 10 anos de idade, com pico entre um e quatro anos, que, em contato com a sujeira do solo ou areia contaminada por fezes de animais, ingerem ovos desses parasitas.

AGENTE ETIOLÓGICO

Nematóide cujas espécies parasitam o intestino delgado de seus hospedeiros definitivos. A larva migrans visceral é causada principalmente pelas larvas (L3) de Toxocara canis e secundariamente por Toxocara cati.


Toxocara cati

HOSPEDEIROS:

Definitivos
Gatos

Paratênicos
Ratos, outros roedores, pássaros.


CICLO EVOLUTIVO
O ciclo pode ser migratório ou não-migratório. Sendo migratório quando ocorre por ingestão das L2 no ovo, e não-migratório após infecção transmamária de L3 ou após ingestão de um hospedeiro paratênico.



1. Após ingestão e eclosão no intestino delgado, as L2 seguem pela circulação via fígado para os pulmões, onde tem lugar uma segunda muda e as L3 retornam via traquéia ao intestino, onde se dão as duas mudas finais. A fêmea do Toxocara cati adulta produz cerca de 700 ovos para cada grama de fezes por dia. Essa forma de infecção ocorre regularmente apenas em gatos de até 3 meses de idade.

Nos gatos com mais de 3 meses de idade  a migração hepatotraqueal ocorre menos frequentemente e aos seis meses, quase cessa. Em vez disso, as L2 seguem para uma ampla variedade de tecidos, incluindo fígado, pulmões, cérebro, coração, musculatura esquelética e paredes do trato digestivo

2. Não ocorre infecção pré-natal em gatos, ou seja, as L3 do tecido da mãe não atravessam a placenta antes do parto. A transmissão materno-fetal se dá por via transmamária, onde as L3 são transferidas através do leite materno durante as três primeiras semanas de lactação. Dessa forma, não acontece migração e os vermes se desenvolvem no intestino dos filhotes.

3 e 4. Os ovos juntamente com as fezes, seja na liteira (apartamentos) seja no ambiente externo, são altamente resistentes a extremos climáticos, podendo sobreviver durante anos no solo.

5. O homem pode se contaminar ao ingerir acidentalmente os ovos de Toxocara; As crianças até 10 anos são os hospedeiros intermediários mais comuns, se contaminando ao levar a mão suja à boca. Não ocorre evolução do verme adulto; as larvas migram para diversos tecidos causando a larva migrans visceral.

6. Os hospedeiros paratênicos, como roedores e aves, podem ingerir ovos infectantes e as L2 seguem para seus tecidos onde permanecem até serem ingeridas por um gato (através da predação), quando o desenvolvimento subsequente aparentemente se restringe ao trato gastrointestinal.



Ovo de Toxocara cati


L2 de Toxocara


SINTOMAS

Gato
Pelo fato da maioria das infecções ser adquirida ou no leite materno ou por ingestão de hospedeiros paratênicos, não há fase migratória, quaisquer alterações usualmente restringem-se ao intestino, manifestando-se como aumento de volume abdominal, diarréia, pelagem opaca e desenvolvimento insuficiente.

Homem
Febre, hepatomegalia, nefrose, manifestações pulmonares e cardíacas, e lesões cerebrais e/ou oculares.

EPIDEMIOLOGIA

A Epidemiologia da Toxocaríase depende amplamente de um reservatório de larvas nos tecidos da mãe, as quais são mobilizadas no final da prenhez e excretadas no leite durante toda a lactação. O hospedeiro paratênico também tem sua considerável importância, por causa do forte instinto de caça dos gatos. Não ocorre exposição a esta última via de infecção, a menos que os gatinhos comecem a caçar sozinhos ou a compartilhar a presa da mãe.

As fêmeas de Toxocara apresentam elevada postura e os ovos apresentam grande capacidade de sobrevivência no ambiente, favorecendo a manutenção do ciclo biológico e também a ingestão dos ovos infectantes principalmente pelas crianças que ainda não apresentam hábitos higiênicos.



DIAGNÓSTICO

Os ovos subglobulares, com cascas espessas, escavadas, são facilmente identificados nas fezes dos gatos em simples esfregaços aos quais se adiciona uma gota d'água.

O diagnóstico de larva migrans visceral pode ser estabelecido por métodos imunológicos bastante sensíveis e específicos como a técnica de ELISA.

TRATAMENTO

Os vermes adultos são facilmente removidos por tratamento anti-helmíntico. A droga utilizada mais popular é a piperazina, embora esteja sendo substituida pelos benzimidazóis fenbendazol e mebendazol e por nitroscanato.

CONTROLE E PROFILAXIA

Realizar tratamento anti-helmintico nas fêmeas antes do parto para evitar transmissão transmamária. Vermifugar os filhotes com 2 meses de idade para eliminar qualquer infecção adquirida através do leite materno (Ver esquema de vermifugação em filhotes); Recomenda-se tratamento dos gatos adultos a cada três a seis meses durante a vida toda.

Além da administração de anti-helmínticos é importante estabelecer hábitos higiênicos para evitar contaminação acidental; Fazer limpezas regulares na liteira, lavar bem as mãos após manipulação de fezes; Evitar que as crianças brinquem em locais sujos, aonde haja riscos de contaminação com fezes de animais; Lavar bem frutas e verduras etc.




Os gatos e as crianças podem ser grandes amigos e essa relação deve ser benéfica, basta cuidarmos de ambos afim de matê-los saudáveis. As crianças devem entender que é importante lavar sempre as mãos e os gatos precisam estar em dia com seu calendário de vermifugação, dessa forma, todos ganham, inclusive você!

Até a próxima!

terça-feira, 19 de julho de 2011

GATOS: MANUAL DE INSTRUÇÕES

PARTE 5: PRINCIPAIS ZOONOSES



Vamos iniciar uma série de postagens, cujo tema abordará as principais zoonoses transmissíveis de gatos para humanos. Falaremos sobre agentes etiológicos, epidemiologia, sintomas, patologia e tratamentos; Lembrando que esta última parte é responsabilidade de um profissional capacitado, no caso de gatos: um médico veterinário; no caso de humanos, um médico, portanto, fique atento sobre as doenças e seus sintomas e em caso de suspeita vá imediatamente a um médico e claro, leve seu bichano a um médico veterinário!



 5.1 TOXOPLASMOSE

Não bastasse a perseguição sofrida pelos gatos na Idade Média, nos dias atuais, seu grande estigma é a Toxoplasmose. Diante disso, falaremos tudo sobre a doença e principalmente a relação entre as grávidas e seus gatos.

O QUE É TOXOPLASMOSE?

É uma Zoonose cosmopolita (presente em todo o mundo), causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, considerado um eurixeno (capaz de infectar animais em diferentes níveis da escala zoológica), ou seja, parasita NÃO EXCLUSIVO de gatos, apesar deste ser seu único hospedeiro definitivo (aonde o ciclo de vida do parasito é completo).  É uma doença infecciosa, congênita ou adquirida e considerada benigna, pois quando uma pessoa sadia entra em contato com o parasita, suas próprias defesas são suficientes para debelar a doença. No entanto, dependendo do estado físico (desnutrição, estresse, doenças imunodepressoras, transplantes, gravidez etc) pode acontecer queda da imunidade e o indivíduo desenvolver a doença.

AGENTE ETIOLÓGICO

O agente causador da Toxoplasmose é o protozoário coccídeo Toxoplasma gondii, parasita intracelular obrigatório capaz de invadir, naturalmente, qualquer organismo animal de sangue quente (homeotermos) e possui três formas infectantes em seu ciclo de vida: oocistos, bradizoítos contidos em cistos e taquizoítos.




1. Oocistos
São encontrados nas fezes dos gatos, não esporulados e medem 12x10µm. Quando esporulados, o que leva de um a cinco dias, o oocisto contém dois esporocistos, cada um com quatro esporozoitos, é principal forma infectante.

2. Bradizoítos
Estão contidos em cistos e ocorrem principalmente nos músculos, fígado, pulmão e cérebro. Os bradizoitos são lanceolados e podem estar presentes vários milhares num cisto, que pode medir até 100µm de diâmetro. Quando o organismo reage (defesa), o Toxoplasma gondii fica encistado na forma de bradizoítos (forma latente).

3. Taquizoítos
São encontrados desenvolvendo-se em vacúolos em muitos tipos de células, como fibroblastos, hepatócitos, células reticulares miocárdicas. Causa a forma aguda da doença.


HOSPEDEIROS

Definitivos: Todos os felídeos, pois estão relacionados com a produção e eliminação dos oocistos (ovos) e perpetuação da doença, uma vez que somente neles ocorre a reprodução sexuada dos parasitos (Ciclo intestinal). Eles ingerem os cistos que estão nos tecidos dos animais homeotérmicos, principalmente de ratos e pássaros.

Intermediários: Qualquer mamífero, incluindo o homem, que se contaminam ao ingerirem oocistos liberados no ambiente (falta de higiene das mãos, frutas, verduras e legumes contaminados) ou através de carne crua ou mal cozida (Ciclo Extra-intestinal).

CICLO EVOLUTIVO



1. A maioria dos gatos (Hospedeiros Definitivos) infectam-se pela ingestão de animais infectados por Toxoplasma, usualmente roedores, pássaros, cujos tecidos contém taquizoítos ou bradizoítos, embora também possa ocorrer transmissão direta de oocistos entre gatos. Após a infecção, a parede do cisto é digerida no estômago do gato e no epitélio intestinal os bradizoítos liberados iniciam ciclos que culminam na produção de oocistos em 3 a 10 dias. Os oocistos são eliminados durante apenas uma a duas semanas, juntamente com as fezes, onde se tornam fonte de infecção para os hospedeiros intermediários.

2. A Liteira, é a fonte de contaminação mais comum para quem mora em apartamentos, pois é o local de eliminação de fezes e urina, utilizado pelos gatos. Como vimos, um gato com toxoplasmose elimina oocistos no ambiente até duas semanas após sua produção, em média, um mês depois de ser contaminado, o gato não é mais propagador da toxoplasmose. Mesmo assim, ao adquirir seu gatinho, faça a limpeza da liteira frequentemente, utilize luvas durante todo o procedimento e lave bem as mãos ao término da limpeza.

3. Grande parte dos gatos vivem livremente no ambiente externo, onde defecam, com isso, o ambiente se torna fonte de contaminação para vários tipos de hospedeiros diferentes, como herbívoros, carnívoros e o próprio homem. 

4. Os herbivoros ao ingerirem capim, vegetais, frutas, por exemplo, podem estar ingerindo também oocistos esporulados; os carnívoros, como o próprio gato, se contaminam ao ingerir carne crua contendo cisto com bradizoitos.

5. O homem/Mulher Grávida, hospedeiros intermediários, também se contaminam ao ingerir alimentos contaminados: mal lavados, mal cozidos (Contaminação comum à outras doenças), ou carne crua e mal passada, que podem conter bradizoítos encistados.


SINTOMAS

GATOS

Apesar do fato dos gatos se infectarem com frequência, a doença clínica é rara. A transmissão congênita, embora rara, ocorre após ativação de cistos de bradizoitos durante a prenhez.

CÃES

O aparecimento da doença é marcado por febre, com lassidão, anorexia e diarréia. São comuns pneumonia e manifestações neurológicas.

RUMINANTES

Existem apenas alguns relatos de toxoplasmose clínica associada a febre, dispnéia, sintomatologia nervosa, e aborto. Indubitavelmente, o papel mais importante da toxoplasmose em ruminantes é sua associação com aborto em ovelhas e mortalidade perinatal em cordeiros. Se a infecção ocorrer no inicio da gestação (< 55 dias), há morte e expulsão de pequeno feto, o que raramente é observado. Se a infecção ocorrer no meio da gestação, o aborto é mais facilmente detectado.

OUTROS HOSPEDEIROS

Tem-se relatado ocasionalmente toxoplasmose em suínos novos e aves.

HOMEM

A infecção no homem pode ser congênita ou adquirida. As infecções adquiridas ocorrem de duas maneiras. Primeiramente, pela ingestão de oocistos eliminados nas fezes de gatos. Isso pode ser diretamente por mãos contaminadas durante a limpeza do gatil, ou o que é mais provável, indiretamente, pela ingestão de verduras ou alimentos contaminados por fezes de gatos. As moscas também podem trasferir oocistos para alimentos. Em segundo lugar, uma importante fonte de infeção é a ingestão de carne mal cozida contendo cistos de Toxoplasma. As infecções adquiridas, em sua maioria, são assintomáticas. As infecções clinicamente aparentes apresentam-se como febre de baixo grau e mal estar com uma lindadenopatia geral acometendo predominantemente linfonodos cervicais, sintomas que são semelhantes aos da febre glandular. O envolvimento de órgãos vitais é raro, embora haja registros de miocardite, encefalite e retinocoroidite. Pode ocorrer agravamento da infecção em pacientes com imunossupressão. A infecção congênita, que ocorre apenas quando a mulher é exposta à infecção pela primeira vez durante a gestação , pode ser séria, com os taquizoítos cruzando a placenta na ausência de anticorpos maternos. Enquanto a maioria dessas infecções congênitas é assintomática, até 10% resultam em aborto, natimortos ou lesão do sistema nervoso do feto. A frequencia da doença é muito mais alta quando a infecção é adquirida no primeiro trimestre da gravidez. As crianças gravemente acometidas apresentam retinocoroidite e necrose cerebral, pode haver hepatoesplenomegalia, insuficiência hepática, convulsões e hidrocefalia.


EPIDEMIOLOGIA


Investigações epidemiológicas indicam que 60% dos gatos são sorologicamente positivos para o antígeno de Toxoplasma, a maioria adquirindo infecção por predação. Como poderia esperar-se, as infecções são mais prevalentes em gatos de rua, porém, após infecção, os gatos eliminam oocistos apenas por uma a duas semanas, depois ficam resistentes à reinfecção, contudo, os oocistos são muito resistentes e isto compensa o período relativamente curto de excreção de oocistos.


DIAGNÓSTICO


O diagnóstico específico é feito por testes sorológicos ou por demonstração dos organismos em tecidos de camundongos inoculados com material suspeito. Dois dos testes mais comumente utilizados medem anticorpos, o teste do corante de Sabin-Feldman e o teste de anticorpos por imunofluorescência indireta (IFI), é preferível o último, pois não requer organismos vivos. O teste ELISA é capaz de detectar uma infecção recente pela estimativa de anticorpos IgM, quando comparados a IgG.


TRATAMENTO


Na maioria dos casos não é necessário tratamento já que o sistema imunológico geralmente resolve o problema. Em gatos é utilizada a clindamicina e a pirimetamina. Em mulheres grávidas ou em imunodeprimidos usa-se espiramicina, pirimetamina e sulfadiazina, para controlar a multiplicação do Toxoplasma gondii, mas também deve ser fornecido ao paciente ácido fólico ou levedura de cerveja, para regularizar o sistema imunológico.

CONTROLE E PROFILAXIA

Os gatos se infectam durante a predação de roedores e pássaros, portanto, é dificil realizar o controle quando se trata de animais de rua, porém, os animais domésticos que não tem contato com o meio externo, raramente serão infectados e mesmo que cheguem em sua casa com a infecção, deixarão de eliminar os oocistos após duas semanas. A profilaxia consite em não manipular a liteira sem luvas e realizar higiene frequentemente com sabão, água sanitária e por segurança até ferver o recipiente durante as primeiras semanas. Para evitar contaminação oriunda dos alimentos, sempre lavar bem as frutas, verduras e legumes, ingerir água potável, clorada e filtrada; Nunca ingerir carne crua ou mal passada. As mulheres que pretendem engravidar devem fazer o exame sorológico para identificar anticorpos contra Toxoplasma e realizar o tratamento caso necessário.




Bom, depois de tanta informação sobre a doença, ficou fácil entender que grande parte da população mundial já entrou ou entrará em contato com o Toxoplasma, porém, a própria defesa de seu organismo se prontificará em combatê-lo. É importante ressaltar que, mesmo latente, a Toxoplasmose pode reaparecer no organismo quando a imunidade do hospedeiro estiver baixa (gravidez, transplantes, Aids e demais doenças imunodepressoras, estresse etc.)


A grávida não precisa se desfazer de seus gatos, pois os mesmos não representam risco de transmitir a Toxoplasmose, se forem tomados todos os cuidados sobre os quais já mencionamos.





Até a próxima postagem!

sábado, 2 de julho de 2011

GATOS: MANUAL DE INSTRUÇÕES

PARTE 4: DISTÚRBIOS DE COMPORTAMENTO


Para finalizar a série de postagens sobre Distúrbios de Comportamento, falaremos sobre um probleminha bastante comum para alguns proprietários de felinos, o famoso "Gato Ladrão"..., quem nunca ouviu falar de um?




4.6 Gato Gatuno

Dessa vez vai ser um pouco mais dificil advogar em defesa dos Gatunos, opa dos Gatos, risos..uma vez que muitos deixam seus proprietários com fome ou com uma grande dúvida na cabeça, cadê o (a) meu (minha) ...? Pois é, de fato, nosso Amigo Gato pode, em alguns casos, ser um verdadeiro "mão leve", vamos entender Como e Porquê.

Ladrão de Comida

Faltam algumas horas para o almoço e você deixou: "um frango, peixe, carne etc..." em cima da pia para descongelar, enquanto isso desenvolve outra atividade doméstica e quando volta: a) A comida descongelou! b) A comida sumiu! ou c) Seu gato é pego em flagrante delito!!!!! Pois é, isso pode acontecer, mas como isso foi acontecer?



Bom, por incrível que pareça, essa é uma pergunta fácil de ser respondida e pasmem, mais uma vez a culpa é do proprietário! Aí, para se safar você deve estar dizendo: "A culpa é minha porque facilitei o acesso à comida?", Negativo, a culpa é sua porque certamente você não alimenta seu gato apenas com ração desde filhote, como deveria ser! Estou certa? Vamos entender...
Estamos falando de um animal cujo instinto fala mais alto do que nossos padrões de comportamento, ele segue nossas regras facilmente, desde que não os deixemos confusos, ou seja, um alimento para cada fase, lembram? Se você oferece ração para seu filhote e o acostuma desde cedo com esse tipo de alimento, ele não irá esperar outro! Do contrário, você irá aumentar seu leque de opções, aguçar seu olfato para uma variedade de comidas e o pior, só vai oferecer pra ele se sobrar. Ao deixar um alimento acessível, ele irá sentir o cheiro que consequentemente despertará seu apetite, sabendo que os gatos comem várias vezes ao dia, não tendo ração disponível, sua presa será fácil! Afinal, instintivamente pensando, ele precisa ser alimentado.

Tenho boas e más noticias, a má notícia é que se seu gato foi acostumado desde pequeno a comer comida caseira, ele raramente irá mudar seu comportamento larápio, além de estar sujeito a sofrer de afecções causadas por esse hábito alimentar, já que suas necessidades nutricionais diferem das nossas, embora estejam sujeitos também a sofrer de problemas que são comuns para nós, como a obesidade, por exemplo. A boa noticia é que se seu gato é filhote, ainda há tempo de realizar uma reeducação alimentar, pois ele ainda está se acostumando com novos cheiros e sabores, deixando o leite e se acostumando com alimentos diferentes. Nunca ofereça sua comida, frutas, bebidas, você pode se surpreender ao notar que ele gosta desse tipo de comida, mas não pode esquecer de que é errado. Faça um acompanhamento com um médico veterinário, ele indicará a melhor ração para seu bichano, de acordo com a idade dele.

Uma dica: Para evitar que seu gato fique miando na hora das refeições, acostume-o a comer ração na hora que você for comer também, ou seja, ao servir a mesa, coloque um pouquinho de ração no pratinho dele, assim ele saberá que aquela é a comida dele e não a sua; com o tempo ele não ficará miando no seu colo por causa do cheiro da sua comida.

Ladrão de Objetos

Frankie pego em Flagrante
Você já observou que alguns objetos na sua casa simplesmente desaparecem? Uma caneta, um imã de geladeira, meias, sacolas de plástico etc...Pois é, o mistério está resolvido, foi seu gato! Mas porquê? Bom, posso tentar explicar, afinal qual é a explicação para uma pessoa cleptomaníaca? talvez se encaixe na explicação para os gatos também; Na maioria dos casos, segundo psicólogos, os cleptomaníacos sofrem de extrema carência, assim fica fácil explicar que seu gato rouba para chamar sua atenção! Tudo começa com brincadeirinhas, você compra ratinhos de brinquedo, ele brinca, e tudo mais que você utilizar como brinquedo, ele vai achar que é dele. Se você demorar a brincar ou não brincar com ele, ele vai brincar sozinho, pois tem muita energia acumulada! A partir daí, uma caneta é mais divertida quando está em movimento, daí ela cai, vira bola..ele brinca e ela some. Ele terá ambientes secretos, aonde só ele saberá o que esse ambiente esconde! Pode ser debaixo da sua geladeira!!! Confira!!!A dica é, quando sumir, procure debaixo dos móveis, dentro de gavetas que você não costuma abrir, bingo! Estará lá.

Relato de Casos

Segue agora alguns casos engraçados de gatos que são cleptomaníacos!

O Dusty, é um gato de San Mateo, no estado americano da Califórnia, segundo a edição inglesa do jornal Metro, ele furtou mais de 600 objetos em 3 anos! Durante o dia, Dusty era um gatinho normal, porém, à noite, assumia sua personalidade gatuna. Seus donos, Jean Chu e Jim Coleman, dizem que o recorde de Dusty são 11 objetos numa só noite. “Ele trazia desde luvas, toalhas, sapatos, brinquedos...”, contou Jean Chu. Como Dusty nunca havia sido flagrado, a cadeia de televisão Animal Network filmou suas empreitadas noturnas. O interessante é que seus vizinhos parecem não se importar com os furtos. Sempre que alguma coisa desaparede, eles já sabem aonde procurar! Vejam o vídeo.



O Frankie tem 2 anos e mora na cidade britânica de Swindon. De acordo com sua dona, nos últimos 12 meses, Frankie trouxe para casa mais de 30 brinquedos, entre ursinhos de pelúcia e bichos em miniatura. O gato, segundo sua dona, é incapaz de se controlar. "Ele sai e volta com brinquedinhos", afirma Julie Bishop, 52 anos, dona do bichano, em entrevista ao diário britânico "Daily Mail". O curioso, segundo a dona, é que Frankie tem uma relação "canina" com os brinquedos. Após furtá-los, ele raramente brinca com o produto do "crime", preferindo armazená-los em um canto de sua sala de estar. O próximo passo de Julie é encontrar o dono dos brinquedos furtados pelo gato. Ela espalhou fotos do animal cercado pelos objetos pelos postes de Swindon.

Frankie com os produtos do furto


Bom pessoal, finalizamos com essa postagens os Distúrbios de Comportamento dos nossos Amigos Gatos, qualquer dúvida ou sugestão fiquem à vontade, façam seus comentários! Continuaremos postando sobre as principais doenças dos gatos. Até a próxima.


Mais uma aventura do Simon's Cat!

domingo, 19 de junho de 2011

GATOS: MANUAL DE INSTRUÇÕES

PARTE 4: DISTÚRBIOS DE COMPORTAMENTO

 Os seres humanos chamam de distúrbio aquilo que eles desconhecem ou não entendem, nós nos expressamos com palavras, gestos, atitudes...porque seria diferente com os animais? Eles também sentem necessidade de expressar seus desejos, vontades e principalmente suas necessidades, isso é distúrbio ou comunicação? Talvez nós sejamos a grande causa dos problemas que acontecem com nossos queridos amigos, justamente por não entendermos o que se passa em sua alma, com isso, na tentativa de expressar um pouco sobre o comportamento felino, falaremos sobre VOCALIZAÇÃO.



Miar ou não miar, ês a questão...




4.5 Vocalização

O Miado é a forma de comunicação felina mais comum e normalmente conhecida pelos proprietários, com a convivência, aprendemos a entender quando os eles querem carinho, quando estão com fome, quando estão felizes etc; E ao contrário do que achamos, os gatos não tem apenas um ou dois tipos de miado, eles tem vários! Encare cada um deles como uma palavra ou frase, por exemplo: Seu gato viu você ir em direção à cozinha e foi atrás de você, está "fazendo baliza" nas suas pernas e solta um miado. Que palavra ou frase você acha que se encaixa perfeitamente nesse contexto? "Estou com fome", Compreenderam? A comunicação não se resumiu apenas na "frase" mas em todo o comportamento desenvolvido e se prestarmos um pouco mais de atenção, saberemos o que cada miado significa!

Mas...e quando meu gato mia sem parar? Já foi alimentado, sua caixa de areia está limpa, já recebeu carinho e até ronronou! Mesmo assim, ele continua miando...não sei o que ele quer e nem o que fazer!!!

Como vimos, os gatos têm motivos para miar, temos que "investigar" seu real motivo para tamanha inquietação, como? Primeiro vamos excluir as causas, como as enfermidades, pois a dor, por exemplo, causada por algumas doenças leva os animais a vocalizarem, lembrando que estamos falando sobre distúrbios de comportamento, ou seja, miar por fome, dor, carinho é simplesmente normal.




O Cio é um distúrbio? Claro que não! Pois o miado em decorrência do cio, está no topo das paradas de reclamações, e é meramente normal, ou seja, não é um distúrbio. Os pássaros cantam para "encantar" seus pretendentes, os lobos uivam, até as baleias cantam...os gatos, miam! Quando existe uma fêmea no cio, seu "perfume" encantador chama a atenção dos machos da vizinhança, e eles começarão uma disputa, farão sua serenata para demostrar que estão no páreo, dentre outros artifícios, muitas vezes violentos. Mas, e os gatos (machos) que não podem entrar no páreo por estarem presos dentro de um apartamento? Pois é, é aí aonde está o problema, seu gato está miando sem parar, dentro de casa, sobe na janela, sobe na geladeira, vai em direção à porta e nada faz seu gato parar de miar, isso, principalmente durante a noite. Eureca! Seu gato não tem um distúrbio, ele só quer explorar o ambiente lá fora e se tiver sorte, namorar; Para isso é  "fácil" resolver esse problema: Castração.

Mais uma vez nosso "divã" mostra que não existe distúrbio, uma vez que, "comunicar-se é preciso", e em alguns casos, por não conseguirem a atenção desejada, eles exageram um pouco...



Até a próxima postagem!

sábado, 4 de junho de 2011

GATOS: MANUAL DE INSTRUÇÕES

PARTE 4: DISTÚRBIOS DE COMPORTAMENTO

Para iniciar um tema que deixa os proprietários bastante irritados: Destruição de objetos pessoais (móveis, sapatos, fios...), vamos adicionar primeiro uma pitada de humor e rir um pouco com um vídeo super engraçado do "Simon's Cat", ou Gato do Simon...tenho certeza de todos que têm gatos irão visualizar bem seu cotidiano..rsrs



É importante enfatizar que, só é considerado distúrbio comportamental quando as condições ambientais normais nas quais vivem os gatos sofrem algum tipo de alteração que os leva a agir fora dos padrões de comportamento.




4.4 Destruição de objetos pessoais

É muito comum chegarmos em casa e nos deparar com algum objeto destruído: fio de aparelhos eletrodomésticos mordidos, sofás arranhados, papéis mastigados etc; Enquanto isso passa um filme na sua cabeça e vários porquês..Porquê raios meu gato fez isso? Calma, para tudo existe um explicação e mais uma vez irei advogar em defesa dos bichanos!

Móveis arranhados



 
 Relembrando...

Vamos lembrar das primeiras postagens, em que falamos sobre demarcação de território! Um dos sinais característicos são as arranhaduras; Os gatos sentem necessidade de arranhar por motivos importantes como desgastar suas unhas e marcar o lugar que ele acha que limita seu território, com isso, ele deixa marcas e cheiro (nos cochins existem glândulas que liberam feromônios), sem falar de que quando estão felizes eles tem o impulso de movimentar as patas como se estivessem massageando o mesmo ponto e algumas vezes as unhas se prendem. Isso acontece normalmente na natureza, quase não observamos..ops...na natureza, ou seja, o gato está livre e tem à sua disposição troncos de árvore, por exemplo; na nossa casa a opção passa a ser qualquer objeto que tenha espessura áspera o suficiente para desgastar suas unhas, ou seja, nosso sofá, cama, tapetes. Mas, meus amigos, podemos evitar maiores perdas se utilizarmos alguns artifícios em nosso favor, pois nossos gatinhos realmente precisam "amolar" suas unhas, é da natureza deles. Para isso, você pode comprar um arranhador em qualquer petshop perto da sua casa, é prático e barato e existe em vários modelos. Não esqueça de cortar as unhas de seu gatinho regularmente, isso ajuda a diminuir seu hábito de "arranhar", pois facilita seu trabalho em "aparar" as unhas. Mas, se por algum motivo seu gatinho continuar com o hábito de arranhar outro local, você também poderá usar o spray do "pode, não pode".



Arranhador torre para parede
Arranhador tipo torre




Arranhador tipo tapete


Arranhador tipo tapete para parede














Arranhador e toca


Cortando as unhas











Fios mordidos




Outro problema comum, principalmente quando os gatos ainda são filhotes, é o hábito de morder tudo, isso porque seus dentinhos estão crescendo e, assim como uma criança, a gengiva coça e ele sente necessidade de morder. Não há muito o que fazer, por isso recomendo o uso de Organizadores de fios, que particularmente chamo de "protetores de fios".



Organizador de fio preto
Organizador de fio transparente











Outros objetos


Além das causas naturais como demarcação de território e dentição, o estresse pode levar seu gato a agir de forma estranha, agressiva, especialmente se ele fica sozinho por longos períodos do dia, onde a ansiedade o levará a morder, mastigar, arranhar o que estiver ao seu alcance. Também o fará para chamar sua atenção, portanto, demonstre carinho, afeto e atenção ao seu animal de estimação, brinque com ele, de forma que ele gaste energia, deixe seu alimento e água sempre disponível para que ele tenha um ambiente harmonioso e tranquilo, que não altere seu comportamento.


...Para finalizar nossa postagem de hoje, mais um vídeo do Simon's cat. Até a próxima!




sábado, 21 de maio de 2011

GATOS: MANUAL DE INSTRUÇÕES

PARTE 4: DISTÚRBIOS DE COMPORTAMENTO

Em determinadas situações, os gatos podem apresentar alterações comportamentais e se a causa da alteração for identificada, podemos facilmente resolver a maioria dos problemas, para tanto, é preciso conhecer bem o animal, seus hábitos e então compreender o real motivo de seu distúrbio comportamental. Com isso, daremos sequência a mais uma postagem sobre desvio de comportamento em gatos.





4.3 Eliminação de fezes e urina em locais inapropriados


É importante, antes de tudo, entender que existe uma diferença comportamental entre animais criados soltos em casa, com acesso ao quintal, ou até mesmo a rua e animais confinados, ou seja, animais que não tem acesso à área externa da casa, como por exemplo, gatos que são criados em apartamentos. É fácil entender que animais "livres" não tem dificuldade em defecar ou urinar, pois tem à sua disposição todo um espaço externo, ao qual podem escolher e utilizar. Já os gatos criados somente em apartamentos, sem acesso à área externa da casa precisam ser educados a utilizar um local específico para tal fim. A partir de então, trataremos como distúrbio apenas os casos em que não há dificuldade aparente para o animal realizar suas necessidades fisiológicas e que apesar disso, os mesmos terminam escolhendo locais diferentes dos quais estão habituados a utilizarem para urinar e defecar.

Liteira



Meu filho lindo utilizando a caixinha de areia (ele não gosta de pisar na areia)

Partindo do pré suposto de que seu gato, criado em apartamento, desde filhote aprendeu a utilizar a liteira para fazer xixi e cocô, de repente, sem motivo aparente, começa a utilizar outros locais na casa para fazer suas necessidades fisiológicas. Causas? Podem ser várias, mas vamos analisar caso a caso o que pode estar acontecendo com seu bichano.

 
Eliminação de Fezes e Urina


Você percebeu ao chegar em casa que seu gato fez
xixi e cocô fora da Liteira. Pergunto: do lado da liteira? longe da liteira? Se não é a primeira vez, ele utiliza sempre o mesmo lugar, ou são locais aleatórios? Tudo isso é relevante tendo em vista que, muitas vezes seu gatinho está apenas te alertando que sua caixinha de areia está suja e inutilizável, ou seja, ele prefere utilizá-la quando a mesma está limpa, areia solta, aonde ele possa cavar e em seguida enterrar seu xixi ou cocô. Quando ele chega e encontra um local úmido, cheiro forte e "lotado", ele se sente incomodado. Lembra que falamos no inicio sobre os gatos serem animais limpos e altamente higiênicos? A partir de então é fácil compreender o motivo que o levou a utilizar outro local diferente da liteira. Geralmente, quando o problema é a liteira suja, eles fazem xixi ou cocô do lado de fora da liteira e uma vez ou outra, em locais aleatórios e o mais importante, em grande quantidade. A Solução é simples, fazer a limpeza da liteira regularmente, mesmo quando a areia utilizada for a cristalizada, que tem maior duração, é recomendável remover as fezes, uma vez que a urina é absorvida pelos cristais, mas as fezes não, ficando portanto, acumuladas.

Eliminação de Urina


 Seguindo ainda o mesmo raciocínio de local e quantidade, temos casos em que o gato urina na liteira normalmente e mesmo assim, em determinadas ocasiões, urina em outros lugares, em pequenas quantidades (borrifando), nestes casos a causa é Demarcação de Território, isso acontece por volta dos 5 a 6 meses de idade, quando o macho está atingindo sua maturidade sexual. Você pode notar marcas nas paredes com um ponto central e uma marca escorrida da parte central, bem como o cheiro característico de urina; O comportamento tende a aumentar quando há mais de um gato na residência e a solução do problema é a castração.



Gato demarcando território com urina

Nota: Outra causa que leva o gato a urinar em locais inapropriados é o estresse, especialmente quando o motivo é a ausência do dono, o que leva o animal à ansiedade. Se a causa do estresse não é a ausência do dono e sim agressão, por exemplo, o animal tende a urinar em objetos pessoais do agressor, ou até mesmo no próprio agressor, como forma de alerta.

RESUMINDO...

Abordamos apenas os casos em que o problema é simplesmente comportamental, ou seja, existem outras causas para distúrbios entéricos e urinários em gatos sobre os quais falaremos mais oportunamente. Nos casos em que falamos há pouco, é importante enfatizar que a higiene da caixa de areia é fundamental, bem como, sempre mantê-la no mesmo local e que este seja fresco, arejado e tranquilo. É importante também respeitar o momento em que seu gato está usando a caixa de areia, evitando falar com ele, tirá-lo do local ou mesmo pega-lo após o uso da liteira; Eles precisam se sentir à vontade, respeite, portanto, seu espaço.



Até a próxima.